Apresentação

for english use the menu

A trajetória do grupo, iniciada em 2005 na Universidade Federal Fluminense, é marcada primeiramente pela exploração de questões relativas à terra, ao gênero, ao racismo, ao Estado e às ações coletivas em países da América Latina, da África e da Ásia. Lugares e situações sociais que tradicionalmente evocam descrições orientadas pelas narrativas sociológicas da falta, da ausência ou do desvio em relação a padrões de organização política, de desenvolvimento econômico ou mesmo de moralidade. Somos um grupo de pesquisadores com objetos de pesquisa que por muito tempo foram definidos pelos seus pares como periféricos em relação aos temas e processos fundamentais da disciplina.

Militantes do MST e do LPM, Robben Island, Africa do Sul 2005. Foto: Marcelo Rosa.

Militantes do MST e do LPM, Robben Island, Africa do Sul 2005. Foto: Marcelo Rosa.

Nossa posição em termos de pesquisa é de romper com este tipo de explicação sociológica justamente porque ela se orienta por uma narrativa exemplar da sociologia que somente consegue ler os processos sociais ao compará-los com o que teria se passado na Europa ou no norte da América do Norte. A sociologia que chamamos de exemplar converteu os processos que foram e continuam a ser analisados nesses países em centros ou, em nossas palavras-termômetros, para a vida social onde quer que ela se desenvolva.

Diante desse quadro, o desafio que se impõe é o de construir narrativas sociológicas a partir de formas teórico-metodológicas que não se expressem por meio de marcadores sociais dualistas orientados por polos positivos e negativos e nem centrais e periféricos. Tal desafio teórico não visa apenas romper as formas teóricas correntes, mas, sobretudo, desafiá-las a incorporar ao seu escopo situações sociais que são quantitativamente e qualitativamente significativas no mundo contemporâneo, mesmo não estando presente na idílica construção histórica dos antigos Estados coloniais.

A questão central do Laboratório de Pesquisa em Sociologia Não-exemplar é construir formas narrativas novas por meio de objetos também novos, que forneçam alternativas claras a conceitos como periferia, atraso, desenvolvimento, clientelismo, populismo, sociedade civil, Estado, rural, urbano, cultura entre outras.

Sediado atualmente no Departamento de Sociologia da UnB, o Laboratório é formado por professores, estudantes de graduação, mestrado e doutorado do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e por pesquisadores colaboradores de outras áreas do conhecimento e universidades.